WHEY PROTEIN PARA O TRATAMENTO DE DOENÇAS?

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Quem pensa que o suplemento whey protein é só um dos preferidos das academias, se engana. Ele poderá ser um aliado no tratamento do diabetes e alergias, e até na reconstrução muscular de idosos

Ficar com um pé atrás ao ouvir que whey protein pode fazer bem à saúde é perfeitamente aceitável. Afinal, ele é mais famoso por ser utilizado por fisioculturistas e em academias. Para entender melhor do que se trata, primeiro é preciso saber o que é essa substância. A tradução literal, para o português, é “proteína do soro”. Portanto, estamos falando do conjunto de proteínas extraídas do soro do leite. “Esta porção aquosa é retirada durante o processo de fabricação de queijos e coalhadas”, explica a nutricionista Andréa Santa Rosa Garcia, membro do Centro Brasileiro de Nutrição Funcional (CBNF). A novidade é que estudos preliminares realizados aqui no Brasil indicam que, na porção correta, a substância poderá ser favorável em tratamentos de patologias como diabetesalergiasobesidade, assim como no cuidado com adultos maduros.


Suplemento em ação

O professor Jaime Amaya Farfán, da Faculdade de Engenharia de Alimentos, da Universidade de Campinas (Unicamp) explica que “as proteínas do leite foram naturalmente programadas para o crescimento dos mamíferos na fase inicial da vida. Por isso, uma de suas principais funções é promover as reações bioquímicas envolvidas no crescimento, como a síntese de proteínas do corpo”. Assim, inicialmente, sua recomendação se restringiria àqueles que praticam atividades físicas intensas. Afinal, sua principal função é a reposição muscular. Farfán dirigiu estudos na própria Unicamp que apontaram duas novas propriedades dessa proteína: efeito protetor contra o estresse e o estímulo à remoção de altas concentrações de glicose (açúcar) no sangue. Essa última é uma alternativa à insulina e proporciona aumento de reserva de energia nos músculos. “Temos esses dois benefícios testados em ratos e, parcialmente, em esportistas”, conta o pesquisador. “Isso foi constatado utilizando as proteínas de whey previamente hidrolisadas (digeridas) e comparando-as com as proteínas intactas. Quando hidrolizadas, possuem maior efeito”, acrescenta. Tais descobertas têm incentivado novas pesquisas para que o suplemento seja usado no tratamento do diabetes tipo 2. “Precisamos identificar se, no homem, as propriedades vistas nos rato são significativas”.

Adultos maduros mais resistentes

A whey protein pode ser indicada para idosos com o fim de auxiliar na reposição muscular. A partir dos 70 anos, homens e mulheres perdem de 20% a 40% da força muscular. E aproximadamente 30% das pessoas nessa fase da vida apresentam sarcopenia — doença caracterizada pela perda muscular. Graças à sua fácil e rápida digestão, o suplemento pode diminuir os efeitos dessas perdas. Porém, é necessário que o idoso passe por uma orientação nutricional antes de começar a suplementação.

Questão de peso 

A proteína tem ação emagrecedora. Isso porque ela promove a sensação de saciedade. A whey ainda aumenta a ação de hormônios inibidores do apetite, como colecistoquinina e glucagon. E ainda afeta de forma positiva a redução de gordura em função de seu teor de cálcio. Conclusão: adotada em dietas, auxilia no controle glicêmico e preserva a massa muscular.
Por ora, seu consumo é indicado àqueles que precisam de suplementos proteicos. “Como sua absorção é mais rápida, pode ser usada em pessoas com problemas intestinais ou dificuldade de ingestão dessa substância”, afirma o nutrólogo Carlos Nogueira, membro da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran). Farfán lembra que, por ter também uma função repositora, o whey tem sido indicado para pacientes aidéticos, com esclerose lateral amiotrófica (ELA) e propensos a úlceras gastrointestinais. Some-se a isso os benefícios para os que apresentam alergia ao leite. Para estes, as proteínas são coadjuvantes do tratamento.

O lado escuro dos potes

Mas as advertências dos especialistas se justificam: abusar das doses de whey protein pode ser perigoso. “Os riscos partem da possibilidade de lesão renal, aumento de peso e interferência na absorção de determinados medicamentos”, alerta a nutricionista Marina Capella (RJ). O nutrólogo Nogueira acrescenta à lista uma eventual sobrecarga nas funções hepáticas. Por isso, antes de fazer uso desse suplemento, é aconselhável consultar um especialista. Só ele será capaz de indicar fórmula e porção ideal para você. Isso porque a dosagem é calculada a partir da dieta de cada pessoa. “Avaliamos a quantidade total de proteínas ingeridas por meio dos alimentos e outros suplementos, além do valor calórico total ingerido e a relação com os demais macronutrientes (carboidratos e lipídios)”, esclarece Marina. “A porção de proteína corresponderá de 15% a 20% em relação às calorias ingeridas”, conclui Nogueira.
Revista VivaSaúde Edição 127

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