Marcas de Whey Reprovadas no Inmetro

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Várias marcas de whey  foram reprovadas no Inmetro em 2104

Marcas de whey reprovadas no Inmentro e mais 7 órgãos em 2014. No mercado existem diversos tipos e marcas diferentes de whey protein. Apesar disso, foram analisadas 15 marcas, algumas conhecidas no mercado de suplementos nacional. Entre elas estão por exemplo: Integralmedica, Max Titanium New Miller. Entre outras internacionais importadas como: Universal e Nature Best.

Dentre as marcas de whey reprovadas, destaca a marca VOXX , que teve o pior desempenho, apresentando 300% a mais de Carboidratos que informado no rótulo.

O Programa de Análise de Produtos, coordenado pela Diretoria de Avaliação da Conformidade do Inmetro, foi criado em 1995, sendo um desdobramento do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade – PBQP.

Um dos subprogramas do PBQP, denominado Conscientização e Motivação para a Qualidade e Produtividade, refletia a necessidade de criar uma cultura voltada para orientação e incentivo à Qualidade no país, e tinha a função de promover a educação do consumidor e a conscientização
dos diferentes setores da sociedade.

Objetivos

Nesse contexto, o Programa de Análise de Produtos tem como objetivos principais:

a) informar o consumidor brasileiro sobre a adequação de produtos e serviços aos critérios estabelecidos em normas e regulamentos técnicos, contribuindo para que ele faça escolhas melhor fundamentadas em suas decisões de compra ao levar em consideração outros atributos além do preço e, por consequência, torná-lo parte integrante do processo de melhoria da indústria nacional;

b) fornecer subsídios para o aumento da competitividade da indústria nacional; A seleção dos produtos e serviços analisados tem origem, principalmente, nas sugestões, reclamações e denúncias de consumidores que entraram em contato com a Ouvidoria do Inmetro ,ou através do link “Indique! Sugestão para o Programa de Análise de Produtos”, disponível na página do Instituto na internet.

Outras fontes são utilizadas, como demandas do setor produtivo e dos órgãos reguladores, além de notícias sobre acidentes de consumo encontradas em páginas da imprensa dedicadas à proteção do consumidor, ou por meio do link “Acidentes de Consumo: Relate seu caso”, disponibilizado no site do Inmetro.

Fiscalização

Destaca-se que as análises conduzidas pelo Programa não têm caráter de fiscalização e que esses ensaios não se destinam à aprovação de produtos ou serviços. O fato de um produto ou serviço analisado estar ou não de acordo com as especificações contidas em regulamentos e normas técnicas indica uma tendência em termos de qualidade. Sendo assim, as análises têm caráter pontual, ou seja, são uma “fotografia” da realidade, pois retratam a situação naquele período em que as mesmas são conduzidas.

Ao longo de sua atuação, o Programa de Análise de Produtos estimulou a adoção de diversas medidas de melhoria. Como exemplos, podem ser citados a criação e revisão de normas e regulamentos técnicos, programas de qualidade implementados pelo setor produtivo analisado,ações de fiscalização dos órgãos regulamentadores e a criação, por parte do Inmetro, de programas de certificação compulsória, bem como a certificação de produtos a partir de solicitações de empresas que foram analisadas e identificaram esta alternativa, que representa uma forma de melhorar a qualidade do que é oferecido ao consumidor e também um diferencial em relação a seus concorrentes.

Justificativa:

Popularmente conhecido como whey protein, o suplemento proteico para atletas – nome pelo qual é classificado pela Anvisa – consiste em um produto à base da proteína do soro do leite, uma proteína de baixo peso molecular com alto valor biológico de proteína e grande capacidade de absorção.

Além disso, os produtos comercializados possuem pequenas concentrações de gordura, mas alto teor de aminoácidos essenciais e proteína de elevado grau de pureza, sendo utilizados para ganho de massa muscular magra.

Tipos de whey

O whey protein é considerado por muitos a melhor proteína existente e é, hoje, talvez o suplemento mais conhecido no mundo. Sua recomendação é comum não só para atletas e praticantes de atividades físicas que procuram aumento de massa muscular, mas também para qualquer pessoa que esteja buscando uma vida mais saudável e preocupada com a forma física.

Assim, é um produto amplamente consumido pelo público frequentador de academias e afins, fato que o classifica como um produto de uso extensivo e intensivo.

O que é whey?

É, portanto, uma proteína completa de altíssima qualidade, com altas concentrações de todos os aminoácidos essenciais; contém, normalmente, uma relação de 80% de caseína e 20% de whey propriamente dito. É conhecida como uma proteína anabólica, uma vez que é a proteína que mais aumenta a síntese proteica. Por ser uma proteína de rápida absorção, sua ação anti catabólica é interrompida cerca de 120 minutos após sua ingestão. A caseína, que é digerida mais lentamente, ajuda a manter um melhor balanço proteico com o passar do tempo, dando suporte aos músculos de forma prolongada.

Um importante fator sobre proteínas diz respeito à eficiência do corpo no uso de uma fonte específica de proteína. Essa relação é chamada de valor biológico e representa uma escala relativa à referência de absorção natural de proteína, que é o ovo.

Assim, há proteínas que podem superar os 100% de valor biológico, o que significa que sua absorção é maior quando comparada ao padrão-ovo. O valor biológico do whey protein está entre 106% e 159%.

Tipos de whey

A obtenção da proteína do soro do leite ocorre por meio de um processo de troca iônica durante a transformação do leite em queijo. A produção de whey protein é bastante dispendiosa, mas a evolução tecnológica da última década permitiu o surgimento de suplementos à base de whey de nova geração, com isolados de proteínas muito concentrados.

Muitos dos fabricantes de whey afirmam que seus produtos possuem valores biológicos elevados devido ao uso de determinadas técnicas, como o processamento por troca iônica (ion-exchange), a hidrolização e a microfiltração.

Por conta das diferentes técnicas de produção e processamento, os suplementos à base de whey variam muito de acordo com suas concentrações, misturas, processamento e valor biológico. Há, basicamente, três classificações para o produto: o concentrado, o isolado e o hidrolisado.

Whey concentrado

O whey protein concentrado pode fornecer de 29% a 89% de proteína, dependendo do tipo de produto.

Quanto menor o nível de proteína concentrada, maiores são os níveis de gordura e lactose, podendo apresentar grandes quantidades de imunoglobulinas e lactoferrinas. É mais utilizado como aditivo alimentar, devido seu baixo custo e processo de fabricação. Não é indicado para intolerantes à lactose. É a forma mais barata de whey, rica em aminoácidos essenciais e de cadeia ramificada, que permitem a liberação de componentes bioativos responsáveis pela aceleração do anabolismo e recuperação muscular.

Whey isolado

A forma isolada é a forma de whey mais pura, contendo cerca de 90% ou mais de proteína em sua composição. Além disso, a maioria dos suplementos de wheys isolados é isento de gordura e apresenta menos de 1% de lactose, sendo o mais indicado para os portadores de intolerância à substância. Possui todas as vitaminas e minerais do leite, além de todos os aminoácidos essenciais, não essenciais e condicionalmente essenciais.
Sua digestão é considerada ótima.

Whey hidrolisado

Por fim, o whey protein hidrolisado exige que os ingredientes sejam colocados em maior quantidade, o que pode fazer com que alguns produtos contenham maltodextrina como primeiro ingrediente, um carboidrato de absorção lenta, que pode levar ao ganho de peso.

A análise

Os suplementos proteicos para atletas apresentam-se ao consumidor em diversas formas: cápsulas, pó, líquido, gel, flocos ou em barras. Para efeitos desta análise, foram selecionadas marcas de suplementos proteicos para atletas whey protein concentrado (100% pure whey) em pó.

Esta escolha justifica-se pelo fato de que é a forma mais comum do produto e, por conseguinte, uma das mais consumidas.

Recentemente, o produto foi o centro de uma polêmica na área, com a divulgação pela internet de resultados de ensaios conduzidos pelo laboratório M. Cassab, encomendados por um comerciante que atua na área.

O estudo indicou diferenças significativas nas quantidades de proteína declaradas pelos fabricantes e aquelas verificadas no conteúdo das embalagens. Isso despertou inúmeras reações de fabricantes e consumidores, levando uma incerteza à área, não só quanto às quantidades, mas com inúmeras reclamações sobre a qualidade e origem da proteína, composição anunciada e presença de substâncias estranhas ao produto.

Cabe ressaltar que o laboratório do grupo M. Cassab é acreditado pelo Inmetro desde 2008 para escopos de análise química em agricultura e pecuária, alimentos e bebidas, e meio ambiente; além de habilitado junto à Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde – REBLAS, da Anvisa.

Marcas de whey reprovadas pela Anvisa

A própria Anvisa retirou lotes de diversas marcas de whey reprovadas do mercado após receber denúncias sobre o produto. Entre as irregularidades encontradas, havia questões referentes à rotulagem, ao teor de carboidratos e proteínas bem como na própria composição do produto.

Por fim, ressalta-se que houve inúmeras solicitações ao Inmetro para a realização desta análise, questionamentos, dúvidas e reclamações sobre o produto, além da percepção da autarquia de que os consumidores sentem a necessidade de maiores informações sobre os produtos do setor.

Foram adquiridas 15 (quinze) diferentes marcas de suplementos proteicos para atletas entre produtos de fabricação nacional e importados disponíveis no mercado brasileiro, em distintas faixas de preço, correlacionando-se às diferentes classes consumidoras do produto.

Tendo em vista que uma das diretrizes do Programa de Análise de Produtos é avaliar a tendência de conformidade do produto, considera-se a importância de preservar, dentro do possível, a representatividade do setor, tornando-se desnecessária a realização de ensaios para todas as marcas disponíveis.

No que diz respeito à escolha da apresentação do produto, foram selecionados apenas os suplementos proteicos para atletas do tipo concentrado, por serem os mais populares entre os disponíveis e por apresentarem maior diversidade de fabricantes.

Métodos

A metodologia da análise estabeleceu que as amostras dos suplementos proteicos para atletas seriam avaliadas quanto ao teor de proteínas totais pelo método Kjeldahl, considerado oficial pela Association of Official Analytical Chemists – AOAC e comumente utilizado para determinar o teor de nitrogênio e proteínas em alimentos.

O teor de nitrogênio total foi convertido para teor de proteínas totais utilizando-se o fator de conversão previsto pela Resolução da Diretoria Colegiada da Anvisa – RDC nº 360, em seu item 3.3.2., que indica o valor de referência 6,38, devido ao fato de os suplementos proteicos para atletas classificarem-se como produtos lácteos.

As amostras foram igualmente avaliadas quanto ao teor de carboidratos totais, por meio da metodologia de Lane-Eynon, baseada no poder redutor dos glicídios mais simples (aos quais se pode chegar por hidrólise, no caso dos mais complexos). Os resultados foram calculados mediante fatores previamente conhecidos. Ressalta-se que esse método é usual na determinação do teor de carboidratos em alimentos.

Salienta-se que a quantificação do teor de proteínas e carboidratos em alimentos é fundamental para o conhecimento da sua qualidade nutricional, considerando-se a importância destes para o bom funcionamento do organismo.

Além disso, foram também avaliados aspectos qualitativos como a origem da proteína do produto, que deve ser exclusivamente de origem animal, proveniente do soro do leite. Outro aspecto observado foi a presença de substâncias não declaradas na composição do produto, em especial a cafeína.

Por fim, considerou-se a adequação das informações presentes nos rótulos à legislação em vigor.

Quantidade de proteínas

A resolução Anvisa RDC-18 define os requisitos para que um produto possa ser considerado suplemento proteico para atletas. O inciso I do artigo 8º da referida resolução estabelece:
Art. 8º Os suplementos proteicos para atletas devem atender aos seguintes requisitos:

I – o produto pronto para consumo deve conter, no mínimo, 10 g de proteína na porção;
Assim, este ensaio busca evidenciar a conformidade das amostras quanto a este requisito.

Teor de proteínas

O ensaio relaciona a quantidade de proteínas presentes em cada amostra com os valores declarados pelo fabricante nas informações nutricionais.

A Resolução nº 360 da Anvisa estabelece que a diferença entre os valores declarados e aqueles efetivamente presentes deve ser de no máximo 20%, para mais ou para menos.
Assim, este ensaio busca evidenciar a conformidade das amostras quanto a este requisito. Os resultados estão expressos na Tabela

marcas de whey reprovadas
marcas de whey reprovadas

Teor de carboidrato

O ensaio indica a quantidade de carboidratos presentes em cada amostra. As 15 amostras foram devidamente homogeneizadas antes de serem pesadas para realização das análises. Para a pesagem das amostras, utilizou-se balança analítica com precisão de 0,01mg, devidamente calibrada. A determinação dos teores de carboidratos foi realizada em três replicatas verdadeiras, para cada uma das 15 amostras de Whey Protein. As análises foram realizadas utilizando-se métodos oficiais e validados, conforme as NIT-LABOR-97, NIT-LABOR-103, NIT-LABOR-104, NIT-LABOR- 106 e DOQ-CGCRE-008.

A tabela de resultados do ensaio resume as médias dos teores de carboidratos totais (% ou g/ 100g do produto), expressas em base úmida e seca, o teor de carboidratos expresso na rotulagem nutricional (na porção recomendada pelo fabricante), o teor de carboidratos expresso na rotulagem nutricional em 100 g do produto e a diferença entre o teor de carboidratos expresso no rótulo e o valor aferido (%) em base úmida.

A diferença entre o teor verificado e aquele declarado na embalagem deve respeitar o limite de ±20% para estar em conformidade com a RDC nº360 da Anvisa. A tabela abaixo resume os resultados encontrados neste ensaio:

marcas de whey reprovadas
marcas de whey reprovadas

Origem proteica

Este ensaio busca determinar a origem proteica das amostras, de forma a comprovar que a proteína utilizada no produto é de fato aquela anunciada ao consumidor, isto é, a proteína do soro do leite ou whey protein.

Para a determinação da origem, realizou-se a análise de proteômica por espectrometria de massas de alta resolução, com simulação do processo de digestão, por meio de técnica de análise direta de todo o conjunto de proteínas dentro de uma mistura complexa, de acordo com o protocolo disponível na Nature Protocols Exchange.

Após um refinamento analítico dos dados, reportam-se somente as proteínas identificadas e estimadas semiquantitativamente com máxima confiabilidade esperada para análises de proteômica. Desta forma, foram excluídas as proteínas identificadas e não quantificadas, restando apenas aquelas que atendiam ao rigoroso critério estabelecido. A Tabela abaixo apresenta o resumo da origem proteica das amostras analisadas.

marcas de whey reprovadas - Origem proteica
marcas de whey reprovadas – Origem proteica

Substâncias não declaradas

Este ensaio busca determinar a presença de substâncias não declaradas nas amostras, em especial, a cafeína. Para a determinação dessas substâncias utilizou-se a técnica de Cromatografia Gasosa acoplada à Espectrometria de Massas com Ionização por Elétrons que permite a identificação de diversas substâncias orgânicas por meio de seu perfil cromatográfico e do seu espectro de massa, constituindo uma identidade única de cada composto. Por meio da combinação desses dois dados, uma substância pode ser identificada de forma segura e inequívoca.

Para as substâncias que foram detectadas positivamente, um padrão de referência de identidade foi utilizado para sua confirmação e uma curva de calibração foi construída para a estimativa da concentração de cafeína quando aplicável. Materiais de referência das substâncias em questão foram utilizados para a determinação dos limites de detecção e quantificação e para a estimativa da recuperação para os casos semiquantitativos.

A Anvisa, por meio da RDC nº 18 determina que os suplementos proteicos para atletas não podem ser adicionados de não nutrientes, de forma que a presença de cafeína ou de outras substâncias colocam em não conformidade o produto.

A Tabela  resume os resultados encontrados no ensaio:

marcas de whey reprovadas - Substancias não declaradas
marcas de whey reprovadas – Substancias não declaradas

Rotulagem

O ensaio averígua o atendimento dos rótulos do produto ao disposto na RDC/ANVISA nº 360, considerando que a informação que se declara na rotulagem nutricional complementa as estratégias e políticas de saúde dos países em benefício da saúde do consumidor, além de fornecer informações que subsidiam a compra de tal ou qual produto.

O Regulamento Técnico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece a obrigatoriedade de declaração da quantidade do valor energético e de alguns nutrientes, como carboidratos, proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans, fibra alimentar e sódio.

Além disso, a resolução da Anvisa indica a forma pela qual devem ser apresentadas tais informações, como estruturação em tabela, agrupamento em um só local do rótulo, em língua portuguesa, com caracteres legíveis e com quantidades representadas algebricamente.

Da mesma forma, deve-se obedecer à nomenclatura oficial do Sistema Internacional de Unidades e atentar para a expressão de valores e suas casas decimais, itens bastante específicos do regulamento em vigor.

A Tabela resume os resultados da análise realizada nos rótulos das marcas de whey reprovadas em questão:

marcas de whey reprovadas - Rotulagem
marcas de whey reprovadas – Rotulagem

Resumo dos resultados

A consolidação dos resultados dos ensaios, estabelecendo a comparação entre as marcas por ensaio, bem como o resultado geral da análise estão representados na Tabela :

Fonte: O globo

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